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domingo, 15 de agosto de 2010

Convergência: uma nova forma de olhar o mundo?

Vou compartilhar com vocês o artigo que escrevi para o CILIC (Congresso Internacional para Líderes da Comunicação. Sintam-se a vontade para comentar e dar sua visão sobre convergência.

O mundo é o mesmo, mas é visto de forma diferente por cada ser humano. É impressionante como uma coisa que parece ser tão óbvia pode ser tão diferente se analisada por outros ângulos.
 
Quando falamos em comunicação, essas percepções tornam-se ainda mais abrangentes e divergentes, devido à tamanha proporção do assunto. Tão divergentes que começaram a achar inviável analisar a comunicação como um todo. Ao menos, era assim que se pensava até pouco tempo atrás…

Para resolver esses problemas de divergência, começou-se a rotular tudo. De uma hora pra outra o mesmo mundo e a comunicação passaram a ser rotulados em ON, OFF, ABOVE e BELLOW the line. Parecia que tudo estava resolvido finalmente. De um lado os nerds e geeks do mundo online; de outro os bons e velhos “caras do off”. De um lado os grandes meios de massa; de outro, canais mais diretos e horizontais.

Mas, por que será que essa linha é tão importante? Por que limitar campanhas, ideias, pensamentos e separá-las? Qual o sentido disso?

As respostas estão diante dos nossos olhos, mas nunca quisemos enxergar: a linha nunca existiu. A linha nada mais é do que um limitador de ideias, rédeas para nossa criatividade e uma lente míope para a realidade. A verdade é que o mundo sempre foi e sempre será um só e quando falamos em comunicação, publicidade e construção de marca tudo deve ser integrado, puro, intenso e sem rótulos. É a forma convergente de olhar.

Esse fenômeno pode ser encarado como uma nova revolução industrial. Depois de um grande processo de terceirização e especialização de áreas, onde cada profissional se dedicava somente a uma parte do processo, hoje vemos além da necessidade de ter conhecimentos específicos, a necessidade de entender esse processo como um todo e ver o mundo como ele sempre foi, sem rotular ideias e pensamentos.

Pense grande e abra os olhos para o mundo. Esqueça a linha e acredite nas ideias.
Seja convergente e não divergente!

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Construindo sua marca - Parte 2 | O consumidor fiel existe?



O segundo post da série "Construindo sua marca" trata de um tema extremamente delicado e que é aberto para milhares de interpretações. O intuito dessa publicação é nos fazer pensar sobre essa discussão lendária que vem se perpetuando cada vez mais e causando polêmica no decorrer dos anos: O consumidor é realmente fiel à marca? Se for, como fazer essa fidelização?

Bom, temos provas e cases que deram certo e errado para ambas interpretações.
Cases como do McDonalds nos fazem realmente acreditar que a fidelização é possível. É uma das marcas que ao longo do tempo caiu no gosto das pessoas e chegou a nivel de idolatria. Mas, há um longo caminho para trilhar entre a liderança de mercado e a fidelização.

O que nos prova são outros cases, como do ICQ, que era amado por consumidores, mas perdeu um espaço enorme e praticamente foi apagado do mercado.

A questão é: Qual é a limiar entre isso tudo? O que torna a marca tão importante para o consumidor?

Necessidade? Serviço de qualidade? Talvez, mas o fator principal é a afinidade entre o produto ou serviço e o consumidor. E para isso há diferentes níveis.

Geralmente percebemos que empresas que oferecem prestação de serviço não conseguem atingir tal nível. Os serviços prestados envolvem muito mais variáveis do que um produto. Publicidade, qualidade, comunicação, atendimento, afinidade, acessibilidade, entre outros quesitos estão sendo julgados a cada momento e basta alguns clientes insatisfeitos para isso se alastrar e se tornar um problema muito maior.

Mas, o que faz o McDonalds ser tão desejado no mundo todo? Com certeza, os lanches servidos não são os melhores, o atendimento é bom, mas longe da perfeição, a comida é altamente calórica e é grande responsável pela obesidade americana. Mas, então, por que o McDonalds é tão especial?

No fundo, nós sabemos. E, podemos nos surpreender com a simplicidade da resposta. 
O McDonalds é uma das primeiras empresas do mundo que foi criada e se manteve baseada no que o consumidor quer e não no que achamos que eles querem. Por que saímos felizes do McDonalds mesmo sabendo que faz mal, que vamos engordar, e que provavelmente nossas veias já estão começando a entupir? Porque eles nos fornecem exatamente o que queremos, e isso nos deixa feliz.
E você acha que não? Apesar de todo esse papo de produtos verdes, a maioria das pessoas não liga para isso. Até acham legal e bonito o papo, mas na realidade não é o que querem consumir.

Hoje em dia, os valores das coisas estão muito distorcidos. Muitas marcas tem a pretensão de achar que sabem o que necessitamos, mas não nos ouvem. Esse foi o erro do ICQ. 

Outro tema é a tal da sustentabilidade. Falar que é sustentável para querer mostrar que se preocupa com o meio ambiente não cola mais. Dizer que "no nosso aniversário, quem ganha é você" muito menos. Tudo isso só indica um caminho: Ouça mais!

Se você vai conseguir fidelizar seu consumidor, eu não sei. Mas, se começar a ouvir mais e tentar impor menos, com certeza vai ganhar seu consumidor. Publicidade é, acima de tudo, sedução. E, da mesma maneira que não pode forçar alguém a se casar com você, não pode forçar alguém a gostar da sua marca. Pense nisso!

domingo, 7 de março de 2010

Construindo sua marca – Parte 1 - Complexo de Johnny Bravo

http://www.universohq.com/quadrinhos/2004/imagens/jonny_bravo_panini.jpg
Mesmo sem licença poética, tomo liberdade para falar sobre o comportamento de auto-idolatria e nomeá-lo nesse artigo de: Complexo de Johnny Bravo, o famoso personagem dos quadrinhos que adorava falar das suas qualidades.
Com esse tema polêmico, começo uma nova série aqui no Rei da Mídia sobre Branding, é o Construindo sua Marca, que dará dicas para construção de marca, fazendo análise de como o mercado vem se portando e descobrindo quais são os rumos mais indicados para alicerçar a comunicação dos anunciantes brasileiros.

Devidamente explicado, abaixo segue a primeira análise. Espero que gostem.
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Ligue a televisão, leia as revistas ou fique atento em qualquer meio onde a publicidade está presente e perceba um velho vício da propaganda que nunca sai de veiculação, infelizmente. Estamos falando da propaganda extremamente adjetiva, que para os olhos do consumidor soa como um “olha como sou foda”.


As agência que utilizam essa “técnica” visando dar informações ao consumidor sobre os benefícios do produto, acabam por trazer um impacto negativo ao invés de positivo para o cliente.


Construir uma marca e ir alimentando um conceito na cabeça do consumidor leva tempo e deve ser feita de forma sutil, com provas e não palavras. Com verbos e não adjetivos. Ao tentar bombardear o consumidor com informações e principalmente com esse tom arrogante, você acaba fazendo com que tudo o que você fale pareça balela, sendo ou não verdadeira todas as informações.


Vou dar um exemplo prático. Eu sempre falo e reafirmo que as marcas se comportam como pessoas e vou mostrar como um anúncio desses soa agressivo ao consumidor.


Utilizei uma propaganda de um carro, nesse caso. Mas tem vários iguais, mudando apenas o nome e os adjetivos. Veja:


Propaganda real:


Que o ______ tem o melhor motor da categoria, bancos de couro, melhor performance em comparações e um design que deixa qualquer um com inveja, você já sabia. Mas, o que você não sabia é que está chegando a nova versão _____ com ______. Agora você não tem motivos para não querer ter um.


Comparando marcas e pessoas. Veja como o consumidor entende o anúncio:


Que eu sou foda, legal, inteligente e bonito você já sabia. Mas, o que você não sabia é que eu passei no Vestibular para Medicina.Agora você não tem motivos para não querer ter um.


Perceba como essa idolatria e excesso de adjetivos fica falso e invasivo. Sem entrar nos méritos da veracidade da informação, podemos observar que esse discurso se torna muito negativo para a marca que adere essa estratégia. É um erro GRAVÍSSIMO da agência e maior ainda do marketing das empresas que aprovam essas propagandas.


Portanto, pense sempre duas vezes antes de sair vangloriando o seu produto para o consumidor.


Seja sutil e envolva o seu consumidor, atraindo pelas qualidades, sim, mas não esqueça de ser relevante e dar algo em troca. A publicidade também é uma permuta, você não pode simplesmente querer empurrar algo, mesmo que um pensamento para outro alguém, muito menos quando estamos falando de vendas.